domingo, 18 de agosto de 2013

O VOO DA BORBOLETA


Abri a porta do quarto
E o encontrei vazio
Você não estava mais lá
Voou tal qual uma borboleta,
libertando-se do seu casulo
Para encontrar as flores do céu






DESAPRENDENDO

Estou desaprendendo a esperar por você
Estou desaprendendo a ansiar pelos seus telefonemas
Estou desaprendendo a me enfeitar para você
Estou desaprendendo a fazer planos sem seu consentimento
Estou desaprendendo a sonhar em viver eternamente com você
Estou desaprendendo a sorrir com você
E se tudo isso não basta...
Estou desaprendendo  a amar você.

MÁRIO BELOLLI APRESENTA: PROJETO ROMEU E JULIETA

MULHERES DO BRASIL E DO MUNDO COMPARTILHANDO POEMAS DE AMOR EM LIVROS DE BOLSO

"AINDA QUE EU FALASSE A LÍNGUA DOS HOMENS, AINDA QUE EU FALASSE A LÍNGUA DOS ANJOS, SEM AMOR EU NADA SERIA"

SENIMENTOS COMPARTILHADOS – JÚLIA REGO

LANÇAMENTO EM 2014 – SANTA CATARINA – BRASIL

sábado, 29 de junho de 2013


AMOR?!!


Mais que entrelaçamento de corpos sôfregos e suados
Necessito da fusão de almas embebidas de entrega amorosa...

domingo, 16 de junho de 2013


O ESPELHO

E não é que achei um espelho?
O que vi por trás dele não me deixou feliz
Uma mulher de olhar triste fitou-me longamente
Foi difícil reconhecê-la...
Moça ainda, não havia marcas recentes de sorriso em seu rosto, apenas uma débil sombra do que já fora
Enfiei a mão naquela imagem
E a pus na palma da minha mão
Sacudi-a, destemidamente,
e soprei-lhe no ouvido um punhado de sonhos
Senti o pulsar do seu coração no meu coração,
Percebi lampejos de vida em seu semblante,
e quando tornei a olhar o espelho, levei um susto!
Aquela moça velha que renascia era eu.


MÁSCARAS HUMANAS

E o que eu queria mesmo era entender 
o que vai no âmago do ser humano
A incoerência explícita que existe entre o falar e o fazer,
que a mim inquieta e angustia
Farsas e farsantes estão em toda a parte,
e impossível é enxergar além das sedutoras máscaras,
ou, talvez, o impossível mesmo
seja querer arrancar essa máscara para se enxergar.


domingo, 19 de maio de 2013


UM DIA FRIO


Entardece fria e tristemente nesse meado de outono tropical
Posso sentir o vento gélido no meu rosto
E posso sentir também a sua fria ausência no meu dia
O cão me faz companhia deitado embaixo da mesa
E a velha mãe, já esquecida do seu eu, cochila no sofá ao lado
Ouço batuques de comemoração ao longe
Foguetes pipocam anunciando a alegria de uns
Embrulho-me no meu aconchego
Implorando-me para que eu não vá embora de mim mesma.


A MOÇA

Ela estava na varanda
Pensando, escrevendo, sonhando
Olhava, chorava, sorria.
Os cabelos voavam, o mundo se abria
As cigarras cantavam, a noite caía.

A lua chegou
A moça a namorou
As nuvens pssavam
As estrelas brilhavam
Um homem passava
E a moça entrava.

O homem cantou
E para ela olhou
A moça não viu
e o homem fugiu.

Quando o dia raiou
Tudo se enfeitou.
A moça sorriu,
As flores se abriram
Os pássaros cantaram
Eles se encontraram
E o amor surgiu.

sábado, 19 de janeiro de 2013


CASTELOS

Sou uma mocinha romântica
Que ainda espera seu príncipe encantado
Mas sei que não sou mais uma mocinha
E que príncipes encantados não existem
Mas, afinal, que princesa sou eu
Que não acredita mais em príncipes encantados...

Vivo sozinha na minha torre
Esperando que um cavaleiro suba pelas minhas tranças
E me leve no seu cavalo branco
Para o castelo encantado do amor
Onde venceremos as bruxas malvadas com suas maçãs envenenadas
Fantasiados para o final feliz...

É TEMPO

É tempo de segurar a lágrima
É tempo de enxugar o rosto
É tempo de engolir em seco
É tempo de dar tempo
É tempo de ser feliz...

ENTREMEIOS

No deserto do meu ser
O oásis do amor surgiu
Trazendo esperança aos que tem sede de viver
Emoções afloram no peito e na pele
Num misto de medo e alegria.
Aqui e ali
As histórias se misturam e se repetem
Levantando a poeira fugaz da desilusão.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012


ONDE ESTOU

Chamei-me e não me ouvi
Gritei-me e não atendi
Chorei-te e não te vi
Acordei-me e ainda vivi




QUERO


Quero voar para os campos floridos, sentir o cheiro do mato, correr com as borboletas e cantar com os passarinhos

Quero molhar meus pés no riacho azul-claro e subir no pé de manga para pegar goiaba

Quero sentir o sol criança brincar em meu corpo e deixar o vento desmanchar meus cabelos

Quero deitar na relva macia e amar com o pôr do sol de testemunha

Quero, à noite, passear de mãos dadas com você e pedir que a lua cheia ilumine a nossa estrada

Quero te dizer um até amanhã cheio de amor e dormir entrelaçada numa rede preguiçosa

Quero ouvir os grilos fazendo sua orquestra noturna e despertar com um galo cantando

Quero que o despertar derrame sobre mim o desejo de começar tudo de novo com você.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012


OUVIR


Todas as vezes que tentei me escutar, me fiz de surda. 
Essa surdez voluntária  e conivente tem me causado imensuráveis consequências, quando se trata de questões do coração.

sábado, 30 de junho de 2012


SONHOS



Olhava os sinais da maturidade em suas mãos, em seu rosto, em seu corpo.
Quanto tempo se passara em busca da plenitude...
A felicidade fugia a cada nova expectativa. Não criara sonhos diferentes na juventude, só agora percebia isso.
E o tempo passou, deixando suas inconfundíveis marcas, também, na alma.
Queria voltar atrás, agarrar-se a uma nova chance, mas era impossível.
Escolhas erradas, pior, repetidas no presente, como a lhe lembrar que estava fadada à solidão.
Achava-se forte e decidida, mas sabia que não estava preparada para novas perdas.
Sempre fora assim, planejava tomar atitudes, e o coração insistia em traí-la, deixando à mostra uma fragilidade que a incomodava e subestimava seu lado racional.
Nesses momentos, a dor apossava-se do seu ser, exterminando qualquer possibilidade de reação.
E chorava...
Vinha-lhe a certeza, somente, da impossibilidade do amor pleno, cúmplice, verdadeiro.
Voltava-se contra aquele senhor que insiste em lembrar, a cada instante, que tudo é finito e que os sonhos devem ser mortos a cada amanhecer.

CAOS



No turbilhão de confusões
Que assolam a mente febril,
Encontram-se sensações indefiníveis,
Flutuando, sarcástica e permanentemente,
No âmago da dor.

No emaranhado de sombras
Surge um redomoinho de dúvidas e
Conflitos devastadores, invadindo o corpo,
Acabrunhando o poder racional do ser,
Que se entrega ao mais completo caos...

sexta-feira, 30 de setembro de 2011


O TOCADOR

Era cego. Mas tocava como ninguém. Como ninguém tocara antes.
A monotonia da viagem foi interrompida pelos acordes pungentes da sanfona, levando os passageiros a um mundo longínquo, quando ainda havia tempo para se ouvir música boa e sonhar, mesmo dentro de um ônibus.
Negro, na pele e nos olhos, vestes maltrapilhas, chapéu de couro e uma sanfona, provavelmente seu único tesouro. Este era o personagem mais importante naquele momento. Tocava com uma melancolia que parecia esconder uma forte tristeza interior. Era um grande tocador. Não porque manejava bem aquela sanfona, mas porque manejava bem o estado de espírito das pessoas que, ao ouvi-lo tocar e cantar esqueciam, momentaneamente, as agruras da vida e mergulhavam no som mágico que saía dos seus dedos. A voz lembrava a de outro grande tocador. A música pura, de raízes nordestinas, remexia lembranças, trazia uma nostalgia indizível. Asa Branca era o carro-chefe do repertório.
Coincidência, ou não, parecia com ele. Assim como aquele, não enxergava, porém, neste caso, a cegueira era total. Bobagem. Via com os olhos da alma. Sabia exatamente como iluminar o dia daquelas pessoas. Ou não sabia. Talvez estivesse ali fazendo o que sempre soubera fazer a vida toda, em troca de algumas moedas. Não importa, a verdade é que depois que ele se foi, o ônibus ficou impregnado de humanidade...