Espaço literário aberto a todas as expressões artísticas e áreas do conhecimento.
sábado, 29 de junho de 2013
domingo, 16 de junho de 2013
O ESPELHO
E não é que achei um espelho?
O que vi por trás dele não me deixou feliz
Uma mulher de olhar triste fitou-me longamente
Foi difícil reconhecê-la...
Moça ainda, não havia marcas recentes de sorriso em seu rosto, apenas uma débil sombra do que já fora
Enfiei a mão naquela imagem
E a pus na palma da minha mão
Sacudi-a, destemidamente,
e soprei-lhe no ouvido um punhado de sonhos
Senti o pulsar do seu coração no meu coração,
Percebi lampejos de vida em seu semblante,
e quando tornei a olhar o espelho, levei um susto!
Aquela moça velha que renascia era eu.
MÁSCARAS HUMANAS
E o que eu queria mesmo era entender
o que vai no âmago do ser humano
A incoerência explícita que existe entre o falar e o fazer,
que a mim inquieta e angustia
Farsas e farsantes estão em toda a parte,
e impossível é enxergar além das sedutoras máscaras,
ou, talvez, o impossível mesmo
seja querer arrancar essa máscara para se enxergar.
domingo, 19 de maio de 2013
UM DIA FRIO
Entardece fria e tristemente nesse meado de outono tropical
Posso sentir o vento gélido no meu rosto
E posso sentir também a sua fria ausência no meu dia
O cão me faz companhia deitado embaixo da mesa
E a velha mãe, já esquecida do seu eu, cochila no sofá ao lado
Ouço batuques de comemoração ao longe
Foguetes pipocam anunciando a alegria de uns
Embrulho-me no meu aconchego
Implorando-me para que eu não vá embora de mim mesma.
A MOÇA
Ela estava na varanda
Pensando, escrevendo, sonhando
Olhava, chorava, sorria.
Os cabelos voavam, o mundo se abria
As cigarras cantavam, a noite caía.
A lua chegou
A moça a namorou
As nuvens pssavam
As estrelas brilhavam
Um homem passava
E a moça entrava.
O homem cantou
E para ela olhou
A moça não viu
e o homem fugiu.
Quando o dia raiou
Tudo se enfeitou.
A moça sorriu,
As flores se abriram
Os pássaros cantaram
Eles se encontraram
E o amor surgiu.
sábado, 19 de janeiro de 2013
CASTELOS
Sou uma mocinha romântica
Que ainda espera seu príncipe encantado
Mas sei que não sou mais uma mocinha
E que príncipes encantados não existem
Mas, afinal, que princesa sou eu
Que não acredita mais em príncipes encantados...
Vivo sozinha na minha torre
Esperando que um cavaleiro suba pelas minhas tranças
E me leve no seu cavalo branco
Para o castelo encantado do amor
Onde venceremos as bruxas malvadas com suas maçãs envenenadas
Fantasiados para o final feliz...
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
QUERO
Quero
voar para os campos floridos, sentir o cheiro do mato, correr com as borboletas
e cantar com os passarinhos
Quero
molhar meus pés no riacho azul-claro e subir no pé de manga para pegar goiaba
Quero
sentir o sol criança brincar em meu corpo e deixar o vento desmanchar meus
cabelos
Quero
deitar na relva macia e amar com o pôr do sol de testemunha
Quero,
à noite, passear de mãos dadas com você e pedir que a lua cheia ilumine a nossa
estrada
Quero
te dizer um até amanhã cheio de amor e dormir entrelaçada numa rede preguiçosa
Quero
ouvir os grilos fazendo sua orquestra noturna e despertar com um galo cantando
Quero que o despertar
derrame sobre mim o desejo de começar tudo de novo com você.
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
sábado, 30 de junho de 2012
SONHOS
Olhava os sinais da maturidade em suas mãos, em seu rosto, em seu corpo.
Quanto tempo se passara em busca da plenitude...
A felicidade fugia a cada nova expectativa. Não criara sonhos diferentes na juventude, só agora percebia isso.
E o tempo passou, deixando suas inconfundíveis marcas, também, na alma.
Queria voltar atrás, agarrar-se a uma nova chance, mas era impossível.
Escolhas erradas, pior, repetidas no presente, como a lhe lembrar que estava fadada à solidão.
Achava-se forte e decidida, mas sabia que não estava preparada para novas perdas.
Sempre fora assim, planejava tomar atitudes, e o coração insistia em traí-la, deixando à mostra uma fragilidade que a incomodava e subestimava seu lado racional.
Nesses momentos, a dor apossava-se do seu ser, exterminando qualquer possibilidade de reação.
E chorava...
Vinha-lhe a certeza, somente, da impossibilidade do amor pleno, cúmplice, verdadeiro.
Voltava-se contra aquele senhor que insiste em lembrar, a cada instante, que tudo é finito e que os sonhos devem ser mortos a cada amanhecer.
CAOS
No turbilhão de confusões
Que assolam a mente febril,
Encontram-se sensações indefiníveis,
Flutuando, sarcástica e permanentemente,
No âmago da dor.
No emaranhado de sombras
Surge um redomoinho de dúvidas e
Conflitos devastadores, invadindo o corpo,
Acabrunhando o poder racional do ser,
Que se entrega ao mais completo caos...
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
O TOCADOR
Era cego. Mas tocava como ninguém. Como ninguém tocara antes.
A monotonia da viagem foi interrompida pelos acordes pungentes da sanfona, levando os passageiros a um mundo longínquo, quando ainda havia tempo para se ouvir música boa e sonhar, mesmo dentro de um ônibus.
Negro, na pele e nos olhos, vestes maltrapilhas, chapéu de couro e uma sanfona, provavelmente seu único tesouro. Este era o personagem mais importante naquele momento. Tocava com uma melancolia que parecia esconder uma forte tristeza interior. Era um grande tocador. Não porque manejava bem aquela sanfona, mas porque manejava bem o estado de espírito das pessoas que, ao ouvi-lo tocar e cantar esqueciam, momentaneamente, as agruras da vida e mergulhavam no som mágico que saía dos seus dedos. A voz lembrava a de outro grande tocador. A música pura, de raízes nordestinas, remexia lembranças, trazia uma nostalgia indizível. Asa Branca era o carro-chefe do repertório.
Coincidência, ou não, parecia com ele. Assim como aquele, não enxergava, porém, neste caso, a cegueira era total. Bobagem. Via com os olhos da alma. Sabia exatamente como iluminar o dia daquelas pessoas. Ou não sabia. Talvez estivesse ali fazendo o que sempre soubera fazer a vida toda, em troca de algumas moedas. Não importa, a verdade é que depois que ele se foi, o ônibus ficou impregnado de humanidade...
INQUIETUDE
A cidade dorme. É madrugada fria. Estou só na minha solidão. Ouço os sons do silêncio. Silêncio vazio. Silêncio ensurdecedor. Busco aninhar-me em mim mesma. Acolher-me é difícil. Fantasmas rondam meu ser, como a querer me devorar. O relógio insiste em marcar um tempo que não passa. Um turbilhão de reflexões invadem-me. Reflexões mudas e sem ecos. O mundo trama lá fora. Eu estremeço aqui dentro. Calo-me diante do desconhecido. Sei que a um sinal devo partir. Devo partir de mim mesma em busca do dia. Dia de sol em que, por certo, encontrarei os raios da felicidade. Felicidade que apagará o véu da tristeza e aquietará meu coração.
sábado, 9 de julho de 2011
TEMPOS DIFÍCEIS ESSES
“Arrependei-vos e credes no Evangelho! Aceite Jesus Cristo como seu único Salvador! Só Cristo salva! Pecadores, Jesus vai voltar em breve”!
Estava num ponto de ônibus, quando fui surpreendida pelas palavras de um homem, aparentemente simplório, contando já certa idade, porém inflamado e convicto de sua missão, digamos, salvadora. Fiquei imaginando o que poderia levar um cidadão comum a se investir de uma suposta autoridade religiosa a ponto de julgar e condenar aqueles que não comungam das mesmas idéias acerca da religião e seus dogmas.
Aquele homem franzino, com um paletó puído e Bíblia na mão, ia e vinha, gritando e gesticulando, indiferente aos olhares e comentários, como se estivesse em transe, e talvez estivesse mesmo, num misto de humildade e soberba que me deixou desconcertada.
Enquanto esperava o ônibus, ocorreu-me que há muito tempo não entrava em uma igreja. Quantos conceitos alimentados há anos foram deixados para trás. Lembrei-me de que, muitas vezes, foi melhor acreditar, por medo, do que correr o risco de ser castigada. Talvez as religiões só sirvam para satisfazer nossas conveniências momentâneas, ou para frear atitudes que mais nos prejudicariam do que aos outros.
Quando pequenos, nos empurram dogmas e práticas religiosas que aceitamos sem questionar, até sermos atingidos pelo vírus da dúvida na adolescência. Ainda assim, em muitos casos, nesse período da vida, não conseguimos extirpar as marcas indeléveis dos primeiros ensinamentos religiosos, os quais determinarão muitos dos nossos comportamentos e atitudes no decorrer da vida.
Mas onde estará a verdade afinal? Com os filósofos, com os cristãos, com os judeus, com os muçulmanos, com os agnósticos? Como continuar sendo adepto de uma comunidade religiosa, quando se descobre que os princípios que norteiam a maioria delas são baseados na cultura do medo e do castigo e, pior, quando se tem certeza de que o objetivo principal da congregação é o incentivo à aquisição de bens materiais e não do tão pregado crescimento espiritual?
O tempo passava, a condução que eu esperava não chegava e o pobre homem, movido pela ignorância, ou pela crença, continuava a fazer sua via crucis naquele terminal, onde pessoas de pouca, ou nenhuma fé, misturavam-se a outras apressadas e impacientes. Tinha ele a certeza de que estava cumprindo sua missão de trazer a ovelha desgarrada de volta a seu pastor. Difícil missão essa, já que vivemos num mundo essencialmente consumista. Não paramos nem para pensar se ainda acreditamos em algo sobrenatural, quanto mais para ouvirmos e colocarmos em prática verdades há muito descartadas. Caminhamos de um lado para o outro, não pregando o Evangelho do Senhor, mas tentando alcançar o ônibus que passou ao largo, atirando-nos freneticamente aos prazeres mundanos, ou querendo ganhar mais do que precisamos para nos mostrarmos melhor do que aparentamos ser.
O ônibus não chega e decido tomar um táxi. Precisava sair dali o mais rápido possível.
Tempos difíceis esses! Esperamos o ônibus, ele não vem, esperamos uma promoção, ela não chega, esperamos um grande amor, ele não aparece, só nos resta esperar que a eternidade, tão propagada por todas as religiões, traga os tão prometidos e postergados prêmios aos homens de boa-vontade.
Nunca mais vi aquele velhinho, mas cópias dele são distribuídas todos os dias, não só em pontos de ônibus, mas em estações de trem, em vias públicas e em qualquer lugar das grandes cidades onde existam pecadores, alienados ou sofredores. Serão os tais falsos profetas citados na Bíblia, ou serão anjos disfarçados, querendo nos salvar da hecatombe final?
Cheguei em casa cansada e confusa. Por via das dúvidas, ou por fé mesmo, elevei os olhos aos céus e agradeci a Deus pela oportunidade que, sem saber, aquele homem me dera para refletir e tive a certeza de que nenhuma religião pode trazer a paz interior e o desejo de amar o próximo, quando você já não os carrega dentro de si.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
LITERATURA É PAIXÃO
Todo o meu sangue raiva por asas! Todo o meu corpo atira-se para a frente!
Álvaro de Campos
(Heterônimo de Fernando Pessoa)
Álvaro de Campos
(Heterônimo de Fernando Pessoa)
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